Passei em Medicina na Federal e Quase Desisti no 3º Período!
outubro 2, 2026
Passei na Federal e Quase Desisti no 3º Período: Um Relato Sobre Saúde Mental
Um relato ilustrativo sobre o momento em que um estudante de Medicina quase desistiu do curso. Entenda os sinais, as causas e como essa história pode ajudar outros estudantes.
Passei na Federal e Quase Desisti no 3º Período: A História Que Toda Faculdade de Medicina Deveria Contar
O relato abaixo é um texto ilustrativo, construído a partir de situações comuns relatadas por estudantes de Medicina em diferentes instituições do Brasil. Não descreve uma pessoa real específica, mas reúne experiências frequentes para ajudar quem esteja passando por algo parecido a se reconhecer — e a buscar ajuda mais cedo do que o personagem deste relato buscou.
Pensar em desistir da Medicina no meio da graduação é mais comum do que se imagina, e geralmente está ligado a sobrecarga, isolamento e sofrimento emocional não tratado — não à falta de vocação. Reconhecer os sinais cedo e buscar apoio profissional muda o desfecho dessa fase. Se você está em sofrimento intenso agora, ligue para o CVV: 188 (24 horas, gratuito).
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Passar na Medicina em uma universidade federal foi, para mim, a realização de um sonho construído desde o ensino médio. Cheguei ao primeiro período eufórico, contando a novidade para todo mundo que conhecia. Não imaginava que, um ano e meio depois, eu estaria deitado na cama às três da tarde, sem energia para levantar, pensando seriamente em trancar o curso e desaparecer da faculdade sem explicar nada a ninguém.
Este é um relato sobre esse período — e sobre o que aprendi ao atravessá-lo.
Os Primeiros Sinais Que Eu Não Soube Reconhecer
No início do terceiro período, a rotina já tinha mudado bastante em relação ao primeiro ano. As disciplinas ficaram mais densas, o contato com o ambiente hospitalar começou a se intensificar, e a quantidade de conteúdo parecia crescer mais rápido do que minha capacidade de absorver.
Os primeiros sinais foram sutis, e por isso demorei a perceber:
Comecei a dormir mal, mesmo em dias sem prova no dia seguinte;
Perdi o interesse em coisas que antes gostava, como sair com amigos de fora da faculdade;
Ficava irritado com facilidade, mesmo em situações pequenas;
Sentia um cansaço que não melhorava, por mais que eu tentasse “descansar mais”;
Comecei a evitar mensagens de amigos e familiares, sem um motivo claro.
Na época, eu chamava tudo isso de “fase difícil do curso”. Só depois entendi que aquilo já era sofrimento emocional pedindo atenção — e que sofrimento emocional na Medicina é tratável, mas precisa ser identificado a tempo.
Quando o Cansaço Virou Outra Coisa
O ponto de virada aconteceu em uma manhã em que, ao me arrumar para uma aula prática, simplesmente não consegui sair da cama. Não era preguiça, nem sono atrasado. Era uma sensação de peso que eu nunca tinha sentido antes, como se cada movimento exigisse um esforço desproporcional.
Fiquei em casa naquele dia, e no seguinte, e no seguinte. As faltas foram se acumulando, e junto com elas veio a vergonha de admitir que eu simplesmente não conseguia continuar no ritmo esperado. Passei a evitar mensagens do grupo da turma, com medo de que perguntassem por que eu tinha sumido.
Foi nesse período que os pensamentos de desistência começaram a aparecer com força: “Talvez eu não sirva para isso.” “Talvez seja melhor eu trancar antes de reprovar tudo.” “Ninguém vai entender por que estou assim.”
Hoje reconheço, olhando para trás, que aquilo era um quadro de sofrimento emocional significativo — não uma questão de “não ter vocação” para a Medicina, como eu acreditava na época.
Sinal de emergência: se, além do que foi descrito aqui, você tiver pensamentos de que a vida não vale a pena, de não querer mais existir ou de se machucar, isso exige atenção imediata. Ligue para o CVV (188), disponível 24 horas, ou procure o pronto-socorro ou o SAMU (192).
O Momento em Que Pedí Ajuda
O que mudou tudo foi uma conversa simples. Um colega da turma, percebendo minha ausência prolongada, mandou uma mensagem perguntando apenas: “Está tudo bem com você?” Não foi uma pergunta de cobrança, mas de cuidado genuíno — e, pela primeira vez em semanas, respondi com sinceridade: “Não. Não estou bem.”
Essa conversa me deu coragem para procurar o núcleo de apoio psicopedagógico da minha faculdade. Lembro do medo que senti ao entrar na sala de atendimento, achando que seria julgado ou que “não teria motivo suficiente” para estar ali. Não foi isso que encontrei. Encontrei escuta, avaliação cuidadosa e o início de um acompanhamento psicológico que se estendeu por vários meses.
Levou tempo para melhorar, e não foi um processo linear. Houve dias melhores e piores. Mas, aos poucos, o peso constante foi dando lugar a uma sensação de recuperação da minha própria vida, dentro e fora da faculdade.
Pensar em desistir não significa falta de vocação. Muitas vezes, é um sinal de sofrimento emocional não tratado, não uma avaliação real sobre sua capacidade ou seu futuro na profissão.
Pedir ajuda não é fraqueza. Foi, na verdade, o ato mais corajoso que tomei naquele período.
Uma pergunta simples pode mudar o rumo de uma crise. O “como você está?” do meu colega foi o que abriu a porta para tudo que veio depois.
Recuperação leva tempo, e isso é normal. Não existe um prazo padrão para melhorar, e cobrar rapidez de si mesmo só aumenta o sofrimento.
A faculdade continua ali, mas você precisa estar bem para atravessá-la. Adiar uma prova ou um período é reversível; ignorar a própria saúde mental por tempo demais pode não ser.
Se Você Está Vivendo Algo Parecido Agora
Se você se reconheceu nesse relato, alguns passos práticos podem ajudar a começar:
Fale com uma pessoa de confiança sobre como você está, mesmo que de forma breve.
Procure o núcleo de apoio psicopedagógico da sua faculdade, mesmo sem ter certeza se “é grave o suficiente” — a avaliação profissional é o que vai esclarecer isso.
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Evite decisões definitivas em momentos de crise aguda, como trancar o curso de forma impulsiva — busque apoio antes de decidir.
Reconecte-se, aos poucos, com pessoas de confiança, mesmo que o primeiro passo pareça difícil.
Considere psicoterapia como espaço contínuo de cuidado, não apenas como recurso emergencial. 📚 Leitura complementar: livros sobre saúde mental na Medicina, como Burnout: O Segredo Para Romper o Ciclo do Estresse (Emily e Amelia Nagoski), ajudam a entender melhor o processo de esgotamento e recuperação. 👉 [Ver na Amazon — https://link.amazon/B02fNWr41
Onde Buscar Ajuda no Brasil
Núcleo de apoio psicopedagógico da sua faculdade: muitas instituições oferecem atendimento psicológico gratuito ou de baixo custo, com sigilo profissional.
CVV (188): apoio emocional e prevenção do suicídio, 24 horas por dia, ligação gratuita.
UBS e CAPS (SUS): avaliação e tratamento gratuitos em todo o país.
Psicólogo ou psiquiatra particular ou por telemedicina: alternativa flexível para quem tem rotina de estudos intensa.
Ligas e grupos de apoio entre estudantes: espaços de acolhimento entre pares, cada vez mais comuns nas faculdades brasileiras.
Perguntas Frequentes (FAQ)
É normal pensar em desistir da Medicina no meio do curso?
Sim, é mais comum do que se costuma admitir. Esses pensamentos geralmente estão ligados a sobrecarga, isolamento e sofrimento emocional não tratado, e não necessariamente a uma avaliação real sobre vocação ou capacidade.
O que fazer quando bate a vontade de trancar o curso?
Evite decidir isso em um momento de crise aguda. Procure conversar com alguém de confiança e buscar avaliação no núcleo de apoio da sua faculdade antes de tomar uma decisão definitiva.
Quanto tempo leva para se recuperar de um período assim?
Varia de pessoa para pessoa e não costuma ser linear — há avanços e recaídas ao longo do processo. O acompanhamento profissional contínuo ajuda a sustentar a recuperação a longo prazo.
Como ajudar um colega que parece estar em uma crise parecida com essa?
Pergunte com atenção genuína como ele está, sem julgamento, e ofereça companhia para buscar apoio psicológico. Se houver qualquer menção a morte ou autolesão, não guarde segredo: acione ajuda profissional e o CVV (188) ou o SAMU (192).
Considerações Finais
Histórias como essa se repetem, com variações, em faculdades de Medicina por todo o Brasil — muitas vezes em silêncio, sem que colegas, professores ou até a própria família percebam a tempo. Compartilhar esse tipo de relato, mesmo de forma ilustrativa, é uma forma de dizer a quem está vivendo algo parecido: você não está sozinho, e existe caminho de volta.
Se você se reconheceu neste texto, não espere chegar ao limite para pedir ajuda. Fale com alguém de confiança, procure o núcleo de apoio da sua faculdade ou agende uma consulta com um profissional de saúde mental. Se estiver em sofrimento intenso agora, ligue para o CVV: 188. A faculdade pode esperar; sua saúde emocional não deveria precisar esperar tanto.
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Este conteúdo tem caráter informativo e educativo. O relato apresentado é ilustrativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento por profissional de saúde mental qualificado.
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